Metodologia

A cooperação como pedra fundamental do agile

Por: , outubro 7, 2013

Segundo a Wikipedia, o termo “pedra fundamental” tem origens celta e maçônica. Foi criado para nomear uma cerimônia simbólica que celebra o início efetivo de uma edificação ou de uma obra importante. Existem divergências com relação à origem da palavara mas, em uma livre interpretação da nossa parte, a pedra fundamental é o cerne, a sustentação para a construção de uma nova realidade. E qual seria a pedra fundamental do agile?

Há quem defenda que a pedra fundamental para uma adoção de sucesso de métodos ágeis é o ciclo PDCA: de forma constante e cíclica se planeja, executa, confere-se a execução e atua-se visando a melhoria de um novo ciclo de planejamento / execução. Há quem diga que a base para uma implantação ágil é a ocorrências de iterações curtas que permita um rápido feedback. Há quem ache que, na verdade, são as práticas técnicas, como TDD, ou a existência de papéis como Scrum Master.


Para nós, não! Quando falamos em ágil, estamos falando em propriedade coletiva e comprometimento, que são traduzidas em práticas como pair programming, debates visando a melhoria, mentoring, criação coletiva, dentre outros. E não há como agir dessa forma se não existir um ambiente colaborativo, cooperativo e, até mesmo, altruísta.
Tendo essa visão como pano de fundo, fica um pouco mais claro entender a resistência, comumente encontrada, para adoção de uma cultura ágil e, até mesmo, uma das principais razões pelas quais adoções de mecanismos ágeis costumam falhar. Fomos criados, e educados, por uma sociedade individualista. Vivemos em um mundo, onde o você é o mais importante! Você precisa ser o melhor, você precisa ser um desenvolvedor 10x, você precisa se separar do bolo, ser o número 1, o destaque. Ou seja, você constantemente vive em uma competição.
Aliado a esse fato, existe até mesmo uma interpretação bastante equivocada da teoria da evolução, que tem como um dos autores Charles Darwin. Nessa leitura, somente os mais fortes sobrevivem. Sendo assim, para você ter suas conquistas, sua sobrevivência, você precisa ser o mais forte. Mas será que foi a força, e esse espírito competitivo, que contribuiu para a evolução da espécie humana?
Não! Na verdade, durante todo o processo evolutivo, sempre evoluímos como espécie! E nunca como indivíduos. Nós só existimos, e chegamos onde chegamos, porque sempre nos organizamos como comunidade, colaborando uns com os outros. Fossem os seres humanos indivíduos egoístas e extremamente competitivos, não teríamos toda essas conquistas evolutivas. O que acreditamos é que esse espírito colaborativo e cooperativo do ser humano é algo muito intrínseco à nossa existência, como se estivesse impregnado em nosso DNA.
Pense em pessoas passando fome, sofrendo agressões físicas ou morais… você, certamente, ficará mobilizado com as imagens que virão a sua cabeça. Pense, agora, em situações de cooperação: pessoas se ajudando após catástrofes, pessoas altruístas fazendo o bem aos outros… você, certamente, ficará solidário à essas cenas e, até mesmo, se identificará. E por que conseguimos, de forma tão natural, nos mobilizar nessas situações mas não conseguimos ter o mesmo senso cooperativo no nosso trabalho, no nosso dia-a-dia, com nossos colegas de trabalho?
Essa é uma resposta que não sabemos dar, de bate pronto, e uma realidade muito difícil de se modificar. Ainda mais tendo como pano de fundo um mundo, e uma formação, individualista onde só os fortes sobrevivem, como dissemos anteriormente. O que podemos lhe aconselhar é ser você, começar por você, a mudança que você quer ver no mundo! E por onde você deve começar?
Na Dextra temos começado a exercitar várias iniciativas, nas quais acreditamos e lutamos por elas, que podem servir como incentivo a você:

  • Construção e fortalecimento de times perenes, que tenham uma vida longa na qual seja possível os membros se identificarem e criarem um clima colaborativo.

  • Criação de espaços para compartilhamento de conhecimento entre os diversos times existentes. Temos eventos como workshops, clube do código e café com código: espaços onde qualquer pessoa pode compartilhar conhecimento sobre qualquer assunto técnico, dos seus projetos.

  • Divisão do lucro de acordo com o resultado coletivo e não pelo resultado individual.

  • Planejamento e compartilhamento de informações estratégicas com todos os colaboradores da empresa de modo que todos possam estar olhando para os mesmos fatos.

Sabemos que essas mudanças ainda são pequenas para uma mudança mais radical, e de maior impacto, em todo o mundo que nos envolve. Mas temos a certeza de que por aqui é aonde começamos e onde conseguimos atuar. Acreditamos que pequenas ações, em conjunto, podem sim mudar uma realidade e transformar o modo como vivemos. Comece por você! Seja a mudança que você quer pro mundo!

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