Aceleração Digital

Se está confortável, está errado

Por: , abril 3, 2017

Fundada em 1892, a Kodak era uma empresa sólida que durante as décadas de 70 a 90 dominou o mercado da fotografia, desenvolvendo câmeras analógicas, com um modelo de business que ia dos produtos para revelação das imagens, os filmes e tudo em torno de uma boa fotografia. Em 2012, a empresa pediu proteção contra falência, pois seu negócio estava passando por muitos apuros.
O que criou o caos para a Kodak foi uma cria da própria empresa: a câmera digital. Na primeira vez que foi mostrada, em 1975, os acionistas desacreditam o projeto, pois a qualidade da imagem do equipamento naquele momento era péssima e a empresa produzia fotos incríveis no formato tradicional.
Estava muito confortável para a Kodak a posição no mercado, fazendo o “business as usual” e a empresa confiava que demoraria muito para ter algo concreto naquele outro projeto.
A Kodak, a Blockbuster e tantas outras “empresas estabelecidas” enfrentam o que é conhecido como “Dilema do Inovador”, termo cunhado por Clayton M. Christensen, em seu livro “The Innovator’s Dilemma”.
Explicando de forma simplificada o que é o conceito, temos algo como: os riscos para construir um negócio inovador são difíceis de ser considerados para uma empresa grande e com um negócio formatado, complexo. Quem assume esses riscos são empresas que querem resolver problemas de nicho (alugar filme, transporte, passar a noite em algum lugar), até que esses nichos constroem novos mercados e as grandes passam a ter problemas.
As tecnologias digitais estão acelerando o processo de disrupção nos mercados, fazendo com o que o “Dilema do Inovador” se transforme em um pesadelo efetivo para diversas empresas já estabelecidas.
É difícil para uma empresa estabelecida criar inovação. Mas existe um passo a passo que tem que ser respeitado:
As empresas (1) devem criar uma área apartada da operação – com forma de uso de dinheiro e financiamento diferente -, (2) fornecer espaços para inovar, (3) envolver ou contratam pessoas adequadas e/ou especialistas no processo de inovar (conhecedores de metodologias, design thinking etc), (4) mirar inicialmente em resolver problemas de processos da própria organização – e para isso se deve gerar critérios de sucesso bem alinhados para a iniciativa -, (5) devem alinhar as iniciativas de inovação às necessidades do negócio, (6) aplicar os novos conceitos gerados desta iniciativa dentro da organização e, talvez o mais importante, (7) a alta gestão da empresa tem que ter um compromisso concreto e definitivo com a inovação.
Dizemos “pensar como uma startup”, mas esquecemos de agir como uma. Mudar tem que ser uma constante, pois as pessoas estão mudando de maneira rápida e acelerada, impulsionadas pelo digital. Para as empresas que querem inovar, a mensagem é: mexa-se. Existem muitas empresas boas no mercado que podem auxiliar no processo de inovação. Mas a sua companhia tem que querer e se comprometer com a inovação. Do contrário, a história da Kodak será repetida diversas vezes todo ano.

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