Inovação

Traçando o futuro da inovação corporativa

Por: Nôga Simões, novembro 12, 2020

Compartilharei neste artigo alguns insights sobre o futuro da inovação corporativa, com base em uma apresentação acerca desta temática, a qual facilitei recentemente em uma reunião da guida de inovação e tendências da Dextra.

Faço parte de uma OKR organizacional cujo objetivo é transformar a Dextra em um hub de inovação. Neste sentido, temos algumas iniciativas estratégicas como esta da guilda de inovação, InnA (programa de inovação para geração de ideias de novos negócios), apresentações sobre inovação no onboarding de novos colaboradores, benchmarkings com áreas de inovação de corporates e startups, dentre outros projetos.

Quando tratamos do tema inovação, a criatividade é um assunto correlacionado e eu geralmente recomendo o livro ganhador do prêmio nobel de economia: “Rápido e devagar – duas formas de pensar”, escrito por Daniel Kahneman. Este aborda os dois tipos de pensamento – divergente (está ligado ao lado direito do cérebro e visa à originalidade. É o tipo de pensamento criativo/germinativo, que está atrelado ao brainstorming e à busca de novos contextos e significados) e – convergente (está ligado ao lado esquerdo do cérebro e visa à relevância. É o tipo de pensamento analítico, o qual busca a solução mais eficaz e adequada).

Mas, Nôga, qual é o conceito de inovação que você mais gosta? Acredito muito nesta conceituação: “Inovação é transformar conhecimento em dinheiro”, de Geoff Nicholson. Ele é considerado o “Pai do post it” e foi um dos líderes que mais incentivaram a inovação na 3M. Com quase quarenta anos de atuação na companhia, Geoff chegou a vice-presidência internacional, inspirando pessoas e processos.

Com isso, inovação é quando uma ideia atende às necessidades e expectativas do mercado, é viável do ponto de vista econômico e sustentável e oferece retorno financeiro às empresas. Ou seja, toda inovação precisa gerar resultados. Inovação não é invenção, nem descoberta. Ela pode requerer estes conceitos e frequentemente isso acontece. Mas o seu foco não é o conhecimento e sim o desempenho econômico. A primeira aplicação de uma inovação deve ser a estratégia, aproximando-se ao máximo do seu ideal. Contudo, para que uma invenção seja considerada uma inovação, seus clientes precisam reconhecer o valor de todo o seu investimento.

Sendo assim, toda inovação surge de um problema. Por isso, trouxe alguns dados do relatório “IBM CEO Study 2010” com relação aos três maiores desafios corporativos para os CEOs e na ocasião eles apresentaram os seguintes:

  • Hiper-competição: as indústrias estão em movimentos rápidos e imprevisíveis; surgem cada vez mais concorrentes incomuns e os movimentos competitivos estão cada vez mais intensos e rápidos;
  • Complexidade: “eventos, ameaças e oportunidades não estão apenas vindo para nós mais rápido ou com menos previsibilidade; eles estão convergindo e influenciando uns aos outros para criar situações totalmente únicas.” – Samuel Palmisano, IBM CEO study, 2010;
  • Inovação: Criar produtos, processos e serviços que transformem a indústria, que sejam novos para os clientes e que possuam atributos e experiências superiores.

Fazendo um comparativo de dez anos, em 2020 – em todo este contexto de pandemia e novo normal, a PwC fez uma pesquisa com CEOs chamada “How business can emerge stronger – como os negócios podem emergir mais fortes” e estes trouxeram os novos planejamentos para este ano, conforme a seguir:

  • Os CEOs planejam tornar suas empresas mais digitais e virtuais. Eles digitalizarão as principais operações de negócios (core business), os processos e adicionarão produtos e serviços digitais.
  • Os CEOs também planejam desenvolver uma força de trabalho mais flexível e orientada aos funcionários. Eles aumentarão a participação de funcionários remotos e expandirão programas de saúde, segurança e bem-estar. 

Outro ponto que também discutimos na guilda é o fato de que a lealdade do cliente está superestimada e neste sentido precisamos desenvolver uma vantagem competitiva cumulativa com base em: 1) Projetar/Desenhar para o hábito; 2) Inovar dentro da marca; 3) Manter a mensagem de marca simples e a decisão de compra fácil. 3) Os humanos tomam cerca de 35.000 decisões diárias, o que torna a vantagem competitiva verdadeiramente sustentável é ajudar os consumidores a evitarem ter que fazer uma escolha. 4) Os hábitos são tão poderosos que toda cultura, país e religião são definidos por eles.

Neste ínterim, inovarmos constantemente pode ser uma saída para aumentarmos a lealdade dos nossos clientes, sendo que ao tratarmos de tipos de inovação, tem-se a teoria dos três horizontes apresentados pela Mckinsey, conforme os eixos do valor para o cliente e relação presente e futuro. Assim, existem inovações de core business (horizonte 1 – manutenção dos principais negócios – valor baixo para o cliente e mais próximo ao presente), inovações adjacentes (horizonte 2 – cultivando negócios emergentes – valor médio para o cliente e relação presente-futuro intermediária) e inovações transformacionais (horizonte 3 – criando negócios genuinamente novos – valor alto para o cliente e relação mais próxima à visão de futuro).

Como comentamos que os problemas são a chave para inovação, vemos que 2020 é o ano da reinvenção corporativa. Em muitas empresas, essa reinvenção está acontecendo em meio a novas restrições como: congelamento de contratações e orçamentos mais apertados. Em outras, os orçamentos podem ser estáveis, mas há novas expectativas em torno de cronogramas e prioridades. Assim, surgem as reflexões: A inovação pode ajudar os colaboradores a se manterem seguros? Repensar o que costumava ser um processo de vendas presencial? Identificar oportunidades de alto valor que não eram viáveis de perseguir apenas alguns meses atrás ou introduzir ferramentas que podem ajudar a organização a ser mais ágil e colaborativa?

De acordo com Steve Blank (2020), as corporações equipadas para os desafios do século XXI pensam na inovação como uma escala deslizante entre execução e busca. Para que as empresas sobrevivam no século XXI, elas precisam criar continuamente um novo conjunto de negócios, inventando novos modelos de negócios. A crise e a recuperação do COVID-19 criam mudanças fundamentais em nossas economias e sociedades e um “novo normal” está surgindo. Os vencedores neste novo normal serão capazes de entender rapidamente: quais são as principais competências/habilidades de sua empresa e as novas necessidades do mercado onde suas competências/habilidades poderiam ser usadas.

Para finalizar, trago alguns depoimentos com relação a como alguns profissionais de inovação têm visto o futuro da inovação corporativa.

“Eu acredito que o futuro da inovação corporativa é open. 🙂 Trabalhando na red hat passei a entender o poder da cultura open, de evitar lock in (tornar muito difícil para que os clientes optem por outra solução). Poder alavancar o poder das comunidades para inovação faz uma diferença muito grande.” – Mary Provinciatto  Engagement LeadOpen Innovation Labs (EMEA) – Europa e África.

“Eu vejo a inovação nas empresas dependente de um ambiente e cultura extremamente favorável ao design, cooperação, experimentação, aprendizado, riscos e onde o erro é considerado naturalmente como parte do desafio. Existem erros interessantes que culminam em acertos inspiradores, os quais precisam ser reconhecidos para estimular a coragem em inovar. O resultado alcançado pela inovação, mesmo nas pequenas vitórias, deve ser muito celebrado e divulgado para realimentar o ciclo cultural.” – Carlos Alberto Jayme  – Chief Growth Officer – Dextra/Cinq

“Novas formas naturais de programação irão, sem dúvida, acelerar o processo de inovação digital. Mas um impacto importante acontecerá na gestão das empresas uma vez que essas novas tecnologias de linguagem natural estabelecerão uma relação colaborativa entre pessoas & máquinas, não mais uma relação de ferramenta apenas. Isso vai demandar inovação em processos e sobretudo no mindset das pessoas.” – Renata Zilse BorgesHead de Design – Dextra Digital

“A inovação tem se tornado parte fundamental no processo das empresas. Com a facilidade atual em se criar novas soluções que resolvam de maneira mais eficiente os problemas das pessoas, as empresas que não inovarem terão seus negócios tomados por novas ofertas. Neste contexto, o processo de inovação contínua, com levantamento e validação das hipóteses de maneira rápida e que não concorra com o dia a dia da empresa é fundamental. Este mindset deve ser incorporado também em toda a empresa, para que cada pessoa esteja atenta e possa auxiliar no processo.” – Luis LimaHead de Soluções e Pré Vendas – Dextra Digital

“Creio que o futuro da inovação é a adaptabilidade. Possivelmente inovação não será mais responsabilidade de uma única área e sim de toda a empresa, afinal inovação está ligada à cultura e pessoas. Neste sentido, a humildade de (re)aprender e compartilhar continuamente será cada mais necessária para geração de prosperidade para tod@s.”

Nôga Simões, Gerente de Inovação e Marketing Internacional – Dextra Digital

Caso queira mais informações sobre inovação na Dextra, entre em contato pelo inovacao@dextra-sw.com
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