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Internet das coisas: entenda como impacta as empresas

Por: , outubro 11, 2013


Comunicação entre as coisas: esse é o próximo passo na evolução da Internet. Além das pessoas, a previsão é que, em todas as redes corporativas, objetos também sejam monitorados e controlados. Basicamente, o conceito da IoT – Internet das Coisas se aplica como a comunicação entre aparelhos, sejam eles físicos ou virtuais, e a Internet.
Para o fluxo de informações entre os dispositivos, hardwares e máquinas utilizados nessa arquitetura, são disponibilizados vários recursos, por exemplo, a rede wireless. Logo, podemos dizer que a IoT é uma extensão da Internet que conhecemos atualmente, com o desenvolvimento de aplicações e serviços de grandes benefícios sociais e econômicos.
Apesar de ainda ser algo complexo para países com pouco incentivo e infraestrutura tecnológica restrita, alguns desafios podem ser superados dada a necessidade de garantir inovação para que processos sejam cada vez mais eficientes.
Se, na condição de gestor, você vislumbra esse cenário como uma possibilidade de maximizar seus lucros, obter informações mais precisas para a tomada de decisão e tornar sua empresa escalável, continue a leitura deste post!

Quais elementos compõem a IoT?

Dispositivos

Tablets, smartphones, computadores, outros tipos de aparelhos eletrônicos, chips e sensores, como Rede de Sensores Sem Fio (RSSF) e a Radio Frequency Identification (RFID).

Redes

Qualquer solução que propague informação em tempo real, como Wi-Fi, Bluetooth e redes móveis (3G, 4G e 5G).

Sistemas de controle

Aplicações que direcionam a informação gerada entre os dispositivos e para outras soluções de monitoramento, como a própria inteligência artificial, sistemas de gestão de processos, sistemas de análise de dados e, principalmente, a gerência de rede, que efetivará a integração necessária entre redes de computadores para propiciar a IoT.

Por que as empresas precisam participar desse advento?

Economia de processos

Quando uma infraestrutura é interligada, apesar de essa característica demandar um investimento mais robusto no início, a economia em escala e em longo prazo justificam o investimento. Isso, porque uma quantidade menor de profissionais será necessária para o andamento dos processos, espaços podem ser otimizados e a eficiência reduz os custos de produção.

Maximização de lucros

Com processos mais eficientes, maior agilidade na produção e custos menores, o que se pode observar é a melhora nos resultados do negócio, especialmente nos lucros. O dinheiro é alocado apenas para a produção de itens de maior valor agregado.

Sustentabilidade

A eficiência também garante sustentabilidade, uma vez que, com dados mais precisos e máquinas operando em sintonia, sem desperdício, insumos podem ser racionalizados e utilizados de forma inteligente, rejeitos da produção podem ser reaproveitados em novos processos ou devolvidos sem agredir o meio ambiente e novos métodos de trabalho melhoram o ambiente para efetivar a produtividade da equipe, que, por sua vez, se mantém mais comprometida com os valores da empresa.

Escalabilidade

Soluções em nuvem são muito mais escaláveis que as legadas, suportam processos mais ágeis, facilitam a manutenção, são mais acessíveis e garantem mobilidade aos usuários: várias ferramentas e equipamentos podem ser interligados para funcionar num ambiente físico enquanto são monitorados a distância.
Quando vislumbrar crescimento, a empresa pode optar por soluções mais robustas na medida de suas demandas, em vez de contratar profissionais e investir em tecnologias próprias, onerar seu fluxo de caixa e precisar esperar até que sua necessidade de negócio comporte esse investimento.

Marketing

Sendo “integração” a palavra da vez, é impossível que, por meio da Internet das Coisas, as empresas não sejam beneficiadas pela capacidade de realizar processos mais ágeis e precisos, usar informações oriundas de diversas fontes e ampliar a difusão de projetos de marketing.
Isso, porque os dados de toda a infraestrutura podem ficar disponíveis para análise. Quanto mais integrados forem os equipamentos, máquinas e dispositivos, mais informações sobre clientes e processos (entradas de insumos, saídas de produtos, produção etc.) poderão ser avaliadas para embasar as estratégias.

Quais as informações mais equivocadas em relação ao tema?

Fabricantes impondo padrões

O mercado está mais volátil, as expectativas dos clientes se alteram a cada minuto, principalmente pela quantidade e nível de visibilidade das empresas em função da Internet.
Com a Internet das Coisas, os empreendedores podem aumentar sua produção e a qualidade de seus produtos, idealizada pelos consumidores. Essa capacidade de atendimento de demanda, apesar de aumentar a rentabilidade dos negócios, não confere às empresas o poder de impor padrões ao mercado.

Estratégias sem funcionalidade

O grande volume de dados, sua variedade e variabilidade — características propiciadas pelo Big Data — aumentam a eficácia das estratégias.
A Internet das Coisas suporta essa capacidade, já que garante a efetividade do planejamento e coloca em prática, com muita eficiência, todos os processos necessários para viabilizar resultados funcionais.

Muito diferente da Internet que conhecemos

A Internet das Coisas não é diferente da Internet conhecida atualmente, porque é resultado dessa possibilidade de conexão. A ligação entre sistemas, dispositivos, hardwares etc. não seria possível se não houvesse uma solução que disponibilizasse informação em tempo real. Assim como a Internet, a Cloud Computing, ou computação em nuvem, se apresenta como alicerce dessa tecnologia, já que é um ambiente em que a colaboração pode ser viabilizada.

Afetará as redes de computadores

Não de forma diferente da que já conhecemos. Um grande número de equipamentos interligados pode aumentar a demanda por conexões mais rápidas, mas isso não afeta em nada a rede de computadores.
O que pode ser evidenciado é a necessidade de soluções de segurança, para garantir que a difusão das informações não seja interceptada por pessoas a quem não compete sua visualização ou para não colocar em risco dados pessoais de terceiros.

O que impulsionou essa necessidade de integração?

O crescimento da população, a necessidade de cuidar melhor do planeta e seus recursos, mais controle para os diversos segmentos da sociedade — em especial o da saúde — e a busca por geração de conhecimento e sabedoria podem ser bons motivos para aumentar a difusão de tendências como a Internet das Coisas.
Mas as melhores justificativas para sua implementação são o novo perfil do consumidor e a necessidade constante de digitalização de processos, para efetivar a qualidade dos produtos e serviços disponibilizados no mercado.

Grande número de aplicações

Atualmente, tudo é feito por meio de aplicações, inclusive no ambiente corporativo. As pessoas se preocupam mais com segurança alimentar, saúde, vida assistida, eficiência energética, entre outros, e para isso precisam monitorar suas atividades e os processos de terceiros, por meio de seus smartphones.
Imagine poder verificar o que tem disponível na sua geladeira enquanto faz compras; ou sua televisão ser programada para pedir cerveja para um delivery uma hora antes da partida do seu time de futebol. São muitas as facilidades possíveis apenas com tecnologia inteligente e conectividade: a Internet das Coisas!

Processos lentos e processos rápidos

Constantemente, é identificada a necessidade de padronização de processos, para garantir a qualidade exigida nesse novo contexto organizacional. Não cabe mais realizar mudanças abruptas, que comprometam os resultados e a competitividade da empresa, mas essa capacidade produtiva só pode ser construída com inovação e integração.

Muitos dados e pouca informação

Do que adianta obter um grande e variável volume de dados se eles não podem ser tratados de forma a produzir relatórios que permitam uma tomada de decisão mais acertada?
Além de aumentar a produtividade, a Internet das Coisas precisa disponibilizar informação conveniente em tempo hábil para que os gestores possam fazer escolhas que melhorem os resultados de seus negócios. Por isso, o processamento de dados é tão importante para validar a eficácia dessa nova infraestrutura.

O que poderá ser monitorado?

Além de toda a planta de uma empresa poder ser monitorada em tempo real, assim como todos os demais processos industriais, a Internet das Coisas poderá, de uma vez por todas, digitalizar nossa rotina em casa e a forma como consumimos serviços públicos, por exemplo.
Pense em como os atendimentos policial, dos bombeiros e de ambulâncias poderiam ser mais ágeis e efetivos com a ajuda de aplicações instaladas em dispositivos conectados às suas redes.
O bem-estar individual também seria garantido por meio de acessórios e ferramentas vestíveis, chamadas wearables, como smartwatches e pulseiras — a Fitbit monitora passos, qualidade do sono e queima de calorias; há pulseiras bancárias que processam pagamentos, por exemplo; assistentes pessoais, como a Siri, da Apple, que auxiliam os usuários em questões como organização pessoal, automação de tarefas diárias e controle financeiro; contratação de serviços por meio de aplicações, como o CarPlay, que conecta aparelhos da Apple aos veículos.
Cidades inteligentes, como Barcelona, na Espanha, criam programas em diferentes áreas para melhorar o transporte urbano, a gestão do lixo e o uso de energia e água.

Quais os desafios?

Para que países participem dessa revolução, será preciso investir no domínio das tecnologias habilitadoras, como RFID, Zigbee e várias outras. A segurança também deve ser uma preocupação, já que, com essa integração, se apenas um aparelho for afetado, todos os demais podem se comprometer.
A cloud computing, que permite essa acessibilidade e escalabilidade das soluções de IoT, também demonstra alguns limites que precisam ser combatidos com sua amplitude de uso, como conectividade lenta e inconstante, incompatibilidade de instalação em áreas remotas, tempo maior de latência para envio de dados ou altos custos de contratação.
A tendência é que seja realocada parte do armazenamento na periferia da rede, juntos aos sensores e objetos conectados — a chamada “Edge Computing”, já evidenciada por Machine Learning e algoritmos IA, como o Amazon Greengrass, a Cloud IoT Edge, da Google, ou o Microsoft Azure IoT Edge.

Como a Internet das Coisas pode ser aplicada na prática?

Para exemplificar uma implementação bem simples de IoT – Internet das Coisas, abaixo segue um resumo de um projeto do curso de Especialização em Rede de Computadores da Universidade de Campinas (Unicamp), apresentado em 2013.

Objetivo do projeto

O intuito do projeto é monitorar a temperatura de um orquidário, para melhorar a qualidade do cultivo e preservar a vida das orquídeas, já que esse tipo de planta se adapta bem a temperaturas entre 15 e 30 graus centígrados.
O orquidário foi dividido em duas partes, a primeira com dimensões de 5m² e a segunda, de 6m², havendo um espaço dividindo essas duas partes com dimensões de 10m² onde são organizadas as vendas das plantas e questões gerais de negócio.
O ambiente não tem fatores relevantes de atenuação (paredes etc.), precisa estar exposto à luz do dia, principalmente nos locais de cultivo, e, por isso, foi protegido com telas, plásticos agrícolas e telhas transparentes.
As áreas onde ficam os hardwares (base, sensores etc.) estão protegidas contra intempéries e já dispõem de tomadas elétricas para a ligação dos equipamentos. O produtor tem um controle efetivo da temperatura, com monitoramento de hora em hora. Caso haja uma variação de 3 graus centígrados ou mesmo se a temperatura fugir do escopo de 15 a 30 graus centígrados, o produtor é avisado imediatamente por meio de SMS e e-mail.
Na infraestrutura, foram instalados dois sensores, um para cada parte do cultivo, e uma base ligada ao Proxy Manager, conectado à Internet pelo roteador Wi-Fi. A distância entre eles é de aproximadamente 10 metros, e a precisão da medida deve ser suficientemente alta para não interferir no cultivo.

Arquitetura proposta

Explicando simplificadamente essa arquitetura, os dados de temperatura, coletados pelos sensores, são enviados para a base, gerenciados pelo Proxy Manager (Raspberry + ScadaBR) e coletados via SNMP (plataforma ScadaBR) por um servidor na nuvem (Amazon Web Services), que faz o monitoramento das informações. Esse servidor conta, ainda, com mais outro serviço, o Zabbix, para monitoramento dos dados e envio dos alertas.
Os serviços da Amazon Web Service, utilizados nesse projeto, foram implementados por meio de uma instância EC2 com IP estático e um volume persistente (EBS) para armazenar os dados coletados. Para backup, foi criado um bucket no S3, e, por meio de um shell script, os dados são enviados diariamente. Essa instância conta com dois serviços: o software de supervisão e o software de monitoramento.
A IoT – Internet das Coisas vai revolucionar a vida das pessoas coletivamente, a partir do momento que todos compreenderem essa tecnologia e apostarem nos seus benefícios. Soluções globais de mercado surgirão, facilitando a vida de todas as pessoas e das organizações, para que sejam modeladas com qualquer escopo de trabalho.
Agora que você entende um pouco mais sobre Internet das Coisas, que tal nos seguir e se atualizar acerca de outras formas de inovação? Estamos no Facebook, LinkedIn, Instagram, Twitter e YouTube!

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