Metodologia

O ágil é agora, quando a mudança é bem-vinda

Por: , outubro 1, 2013

O ágil foi estereotipado e ainda existe a mentalidade de que fazer rápido é fazer mal feito. Mas ao contrário disso, estamos falando na facilidade de gerir prioridades, no melhor alinhamento entre TI e negócio e na redução do time-to-market

Há quase duas décadas o mercado vem conhecendo os métodos leves de desenvolvimento de software que, a partir do “Manifesto for Agile Software Development”, de 2001, se tornaram conhecidas pelo termo Ágil. Até pouco tempo, discutir sobre qual a melhor técnica para se construir sistemas de software, ágil ou tradicional, gerava bastante polêmica. A resistência aos métodos ágeis deve-se principalmente à quebra de paradigma que eles representam, mas quando pensamos em projetos inovadores não há como negar, o ágil virou mainstream e é a resposta mais assertiva para o sucesso do projeto.
Temos visto no mercado a redução cada vez maior do espaço para o desenvolvimento em cascata (Waterfall). Mais do que isso, a geração de valor com software está se deslocando cada vez mais para projetos onde agilidade é essencial, já que as mudanças rápidas e constantes exigem repostas com a mesma velocidade. A visão tradicional funcionou muito bem quando o mundo era mais estável, as mudanças mais lentas, mas hoje a dinâmica de negócios é outra. É preciso mudar, e esta mudança é cultural.
A mudança em direção à agilidade requer, além de conhecimento das técnicas ágeis, confiança e coragem. É pensar mais em times de profissionais e em sua interação do que em processos e ferramentas. Engana-se quem pensa que no ágil não existe planejamento, mas software funcionando, testado e implantado é mais importante que documentos.
As vantagens do ágil são muitas, desde maior velocidade e assertividade na entrega de versões funcionais do sistema, até na integração contínua do software (não deixe para descobrir que seu software não funciona no dia da entrega). Mas a grande vantagem está na capacidade de enxergar a mudança como oportunidade, e não a fugir dela. O processo ágil requer o acompanhamento, a troca de ideias e feedback constante e, por isso, tende a ser mais assertivo no final do projeto.
A grande barreira ainda é a cultura presente nas empresas. Muitos executivos são cobrados e avaliados pela capacidade de planejar projetos e prever o futuro. E se eu te disser que você não precisa prever o imprevisível? No modelo ágil, a construção do projeto é realizada com a demanda encontrada e, com isso, cai muito o retrabalho e desperdício, tanto de tempo quanto de investimento. Muitos softwares presentes no mercado, feitos de maneira convencional, não apresentaram o resultado esperado ou acabaram ficando muito inchados e caros. Afinal, foram planejados com tanta antecedência que no momento da entrega as necessidades eram outras. Um estudo realizado pelo StandishGroup mostrou que 64% das features desenvolvidas nos sistemas são raramente utilizadas ou nunca foram, e 16% delas são utilizadas apenas algumas vezes.
Mas por onde começar? Qual o caminho para ser ágil?
O primeiro passo é olhar para o seu portfólio de aplicações e identificar onde estão as mais inovadoras e que possuem um ritmo de mudança com maior velocidade. Assim, você quebra as aplicações em camadas e concentra na camada de inovação a agilidade. Com os resultados do ágil nesta primeira etapa fica mais fácil apresentar o método para as outras áreas da empresa e elevar o conhecimento e maturidade do ágil.
Hoje o cuidado na entrega de um software vai além. As expectativas dos clientes são outras, já que aumentou também seu contato com a tecnologia. Antigamente, os softwares eram mais utilizados em meios corporativos, e atualmente usamos softwares para tudo, desde no ambiente de trabalho às atividades pessoais. Com isso mudou a experiência do usuário que agora exige mais qualidade do produto.
O desenvolvimento ágil foi estereotipado e ainda existe a mentalidade de que fazer rápido é fazer mal feito. Mas ao contrário disso, estamos falando na facilidade de gerir mudanças de prioridades, no melhor alinhamento entre as áreas de TI e negócio e na redução do tempo de inserção do software no mercado. Para ser ágil, é preciso de pessoas capacitadas que desenvolvam com qualidade, profissionalismo e responsabilidade. É mais do que estar funcionando, é o software bem trabalhado – o Software Craftmanship. Se o que você fez até agora não funciona mais, não se torne obsoleto, e não deixe que o medo do novo impeça a evolução do seu negócio.
 

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