Metodologia

O uso de métodos ágeis em projetos governamentais

Por: , setembro 4, 2013


Até o ano de 2001, o modelo cascata, ou waterfall, era o principal método para gestão de desenvolvimento de software. Dentre vários fatores, esse modelo se propunha a realizar um extenso planejamento com um detalhamento profundo no sentido de prever e controlar eventuais mudanças que pudesse ocorrer ao longo do desenvolvimento. O resultado disso, em sua grande maioria, eram projetos com prazos e custos estourados, com uma baixa qualidade e bastante distante da real demanda do negócio. Estudos comprovaram que cerca de 64% das funcionalidades produzidas em um sistema, até então, eram lixo sendo raramente ou nunca utilizadas pelos usuários finais.

Cansados de vivenciar esse cenário, 17 desenvolvedores de sistemas, lançaram o manifesto ágil: um manifesto composto de 4 grandes valores e 12 princípios. Desde o seu lançamento em 2001, métodos já existentes, mas ainda não tão disseminados como Scrum, Kaban, XP e Lean, ganharam força ao trazer uma nova forma de se desenvolver e gerenciar o desenvolvimento de software. Pesquisas e estudos realizados, no Brasil e no exterior, mostram que os métodos ágeis trazem grandes benefícios e vem se tornando uma excelente forma de acompanhar a implementação de um projeto de TI.
Nesse contexto, órgãos governamentais brasileiros desejam conseguir usufruir desses benefícios mas encontram bastante dificuldades em função da legislação nacional. Um dos grandes potencializadores dessa dificuldade é a Lei 8.666 que regula, da mesma forma, a compra de canetas e software, por exemplo: produtos extremamente diferentes da sua produção ao seu consumo. Apesar de algumas tentativas de modificação na legislação, como o surgimento da IN-04, os órgãos públicos ainda ficam em dúvida sobre a possibilidade de se trabalhar com métodos ágeis em seus projetos para a contratação de desenvolvimento de software.
Em uma palestra realizada no Fórum RNP, em Agosto de 2013 na cidade de Brasília, eu apresentei um case de um projeto governamental conduzido e acompanhado através do uso de métodos ágeis. O projeto em questão foi a implementação de alguns módulos do Sistema Alelo para utilização da Embrapa. Durante esse desenvolvimento, conseguimos aplicar o Scrum utilizando pontos de função como métrica de medição. O backlog do projeto foi dividido em ordens de serviço, com duração máxima de 2 meses, e dentro das quais existiam entregas parciais há cada 2 semanas. Ao término de cada OS, o esforço consumido, calculado através da contagem dos pontos de função, era descontado do saldo contratual.
Além de demonstrar esse case, apresentei um estudo realizado por funcionários do TCU no qual foi feita uma análise de diversas iniciativas do uso de métodos ágeis em projetos governamentais frente à legislação vigente. A conclusão do estudo realizado foi de que é possível sim realizar a contratação de um desenvolvimento ágil para a implementação de um sistema respeitando as condições da lei 8.666 e da IN-04. Essa informação ainda não é uma posição oficial do TCU mas o resultado do estudo será submetido para as esferas cabíveis do órgão fiscalizador para se ter a possibilidade de virar um posicionamento oficial.
Toda essa apresentação, bem como o debate com dúvida e questionamentos, foi gravada e pode ser assistida através desse link.

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