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Por que fazemos perguntas erradas para contratar software?

Por: , dezembro 10, 2013

Como medir a diferença do valor gerado no trabalho intelectual?

Quanto custa o quilo de BMW? A pergunta parece completamente despropositada e absurda. Ninguém compra carro pelo peso. Comparar o preço de um quilo de um carro com outro traz pouca ou nenhuma informação útil para tomarmos uma decisão de compra. Um carro tem um número enorme de atributos que podem ser considerados, que geram percepções de valor diferentes para cada cliente.
Entretanto, muitas vezes o gestor de TI faz a comparação entre fornecedores de serviços utilizando um parâmetro bastante semelhante: o valor do homem-hora. Quantas vezes já não falamos ou ouvimos as frases “quanto custa o valor-hora de um programador Java?” ou “o seu valor-hora está acima do mercado”.
O trabalho em TI, em especial no desenvolvimento de software, é uma atividade altamente intelectual e criativa, onde o resultado gerado para o cliente pode ter ordens de grandeza de diferença entre o que é produzido por dois profissionais diferentes. O resultado que interessa ao cliente certamente não é a planilha de horas. Mas este é mais fácil de medir e comparar.
Talvez exista algum viés de comportamento que faça o cérebro buscar um terreno sólido para comparar coisas intangíveis (o valor do software), mesmo que a comparação seja através de um atributo pouco relevante para o objetivo final (o preço da hora). Acho que todos conhecem aquela piada em que o personagem procura a carteira perdida numa rua iluminada, mesmo sabendo que a perdeu num beco escuro. Estamos fazendo o mesmo em TI.
Outra explicação plausível é que no passado esta comparação funcionou relativamente bem, quando os projetos tinham como objetivo simplesmente automatizar processos. Atualmente estes processos já são cobertos por pacotes de software e o grande desafio está em desenvolver sistemas que alavanquem a diferenciação e a inovação no negócio. É justamente aí que fica mais evidente a diferença do valor gerado no trabalho intelectual. Afinal, estamos falando de uma atividade muito sofisticada e que definitivamente não é commodity para ser comparada unidimensionalmente.
Daqui para frente, as necessidades mais críticas para as organizações serão aquelas relacionadas à diferenciação e inovação nos negócios. E isto passará impreterivelmente por software, muitas vezes únicos ou customizados. Então, a velha métrica comparativa do valor-hora vai mais atrapalhar do que ajudar.
Minha recomendação para o gestor de TI é olhar para outros atributos de uma empresa de desenvolvimento de software para avaliar a sua contratação. Algumas boas pistas para encontrar um fornecedor antenado com o novo mundo dos negócios (diferenciação e inovação!) podem ser o modelo organizacional (quanto mais níveis hierárquicos menos cérebros a bordo), o ambiente de trabalho, a atratividade para reter talentos e, last but not least, a satisfação de seus clientes.
Sem dúvida é mais complexo do que comparar valor-hora. Mas no final, o resultado alcançado será bem melhor.
Ah, já ia me esquecendo. O preço do quilo do BMW X1 2014 é R$ 83,00. Caro ou barato?

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