Como a transformação digital pode levar o CIO ao board

Há vários anos ouço a queixa dos CIOs de que eles não são mais envolvidos nas decisões estratégicas de...

Data de publicação: 01/07/2015
Transformação Digital

Há vários anos ouço a queixa dos CIOs de que eles não são mais envolvidos nas decisões estratégicas de suas empresas e que, no máximo participam das decisões táticas. Um CIO mais irreverente me disse uma vez: “Não somos C Level coisa nenhuma! Só somos chamados para a reunião do board quando o projetor não está funcionando.”
Os CIOs surgiram e tiveram sua época de ouro junto com a ascensão da internet. Naquela época sugiram as “Ponto Com”, ancestrais das startups, que iriam mudar o mundo com as suas novas tecnologias. E TI estava no centro dos negócios nascentes e o CIO tinha seu lugar à mesa de decisões. Logo depois disso veio o estouro da bolha de internet, a tecnologia não entregou as grandes expectativas prometidas e o CIO começou a perder relevância no tabuleiro corporativo.
Um dos pontos baixos da trajetória do cargo de CIO aconteceu com a publicação do artigo de Nicholas Carr, “IT Doesn’t Matter”. Ele afirmava que, apesar de importante, TI se transformaria em commodity e não traria diferencial competitivo sustentável para as empresas. Segundo ele, nenhuma inovação diferenciadora viria da tecnologia, mas que esta se tornaria uma fundação barata e acessível para todas as empresas, não compensando altos investimentos.
Nicholas Carr olhou para a TI existente em 2003, principalmente para a infraestrutura de TI. Muita coisa mudou de lá para cá. Realmente a TI de sua época virou uma fundação barata e acessível. O que ele não previu é que esta antiga TI serviu de plataforma para uma série de inovações e modelos de negócios, para uma nova TI.
De alguns anos para cá a tecnologia ficou tão pervasiva que dividir negócios físicos dos puramente baseados em software não faz mais sentido. Todos os negócios ficam mais e mais digitais. E no mundo digital, TI importa muito. Pergunte para a Netflix e para a Blockbuster (ou para o que restou dela) se tecnologia importa. Para vários outros segmentos, TI importa dolorosamente ou é uma fonte de receita que até então inexistia. Novas formas de uso de tecnologia vão ter impacto em um número crescente de segmentos de mercado, onde vários negócios são ou serão reescritos por software.
O Gartner cunhou uma expressão que ajuda a entender sobre como as coisas mudaram: TI Bimodal. O bimodal se refere às duas faces de TI, a primeira face compreende a infraestrutura de TI (servidores, redes, ERP, etc) e a segunda representa as possibilidades de diferenciação e inovação digital. Nicholas Carr acertou sobre a primeira TI, só não imaginou que a roda da inovação continuaria girando e criando novas possibilidades. O CIO tem uma nova chance nessa segunda parte de TI, onde uma nova onda de produtos e serviços digitais serão criados.
O CIO tem a oportunidade de liderar as mudanças de transformação digital em suas companhias. Provavelmente ele é o executivo mais preparado para entender as tecnologias inovadoras e as novas possibilidades que elas trazem. Mas capturar esta oportunidade exige uma mentalidade diferente do CIO. Ele deve ficar mais longe da infraestrutura de TI e mais próximo das oportunidades de negócio. Se o CIO não ocupar o papel de liderança na transformação digital, outro executivo o fará, pois a pressão para tornar os negócios digitais será cada vez maior por parte da alta gestão. Os candidatos ao cargo, no lugar do CIO, serão os suspeitos de sempre: os executivos de marketing e os das áreas de negócio. A vantagem deles é que agora já estão mais íntimos das tecnologias digitais do que a uma década. E tecnologia para eles não é discutir COBIT ou ITIL, mas sim pensar nas oportunidades de negócio que ela traz.
No final do artigo “IT Doesn’t Matter”, Nicholas Carr previa que a área de TI se tornaria tediosa e burocrática. Só que TI tem novamente a oportunidade de se tornar um centro nervoso da empresa. Tudo dependerá de como o CIO olhará para esta oportunidade. Ele pode tanto liderar o processo de transformação digital quanto provar que Nicholas Carr estava certo. It’s up to you, CIO!

Comentários

  1. Alvaro tourinho2 de julho de 2015

    muito bom artigo

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  2. Alvaro tourinho2 de julho de 2015

    otimo artigo

    Responder
  3. Andre torrieri2 de julho de 2015

    muito bom o texto. vale a pena compartilhar!!

    Responder
  4. Sara Tanaka2 de julho de 2015

    muito bom esse artigo. há muito não leio um artigo com tanto gosto. parabéns!

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  5. CARlos Arellano sander16 de janeiro de 2016

    Boa SÍNTESE da nossa conversa da quarta passada. Muito bom LUis. Abs

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