Design Emocional, ou como fazer os usuários se apaixonarem por seus produtos

Quando se trata de criação, todas as áreas tem algo em comum: a busca por um produto final esteticamente...

Data de publicação: 17/04/2018
Design
Quando se trata de criação, todas as áreas tem algo em comum: a busca por um produto final esteticamente agradável, funcional e principalmente, que gere lucro. Para isso, o produto precisa conquistar e/ou fidelizar uma quantidade significativa de consumidores.
Marketing a parte, a ciência de como aprimorar esse processo e tornar o design das coisas menos baseado em “achismos” tem avançado muito nos últimos anos. Podemos ver esse fenômeno se espalhando com áreas como Experiência de usuário (UX) e Pesquisa e Desenvolvimento ganhando mais força nas estratégias de diversas empresas.

Experiências importam. Experiências são tudo que temos na vida, são o que  fazem a nossa vida. E nós, como designers, temos um dom muito especial: nós criamos experiências. Podemos criar experiências que dão super poderes para as pessoas. Podemos criar experiências que tornam a tecnologia invisível e indistinguível de magia. Experiências que empoderam, divertem e deleitam.
– A Happy Grain of Sand by Aral Balkan

Para o consumidor, a beleza reside no fato de que esse investimento das empresas tem o potencial de gerar produtos mais agradáveis de se usar, logo, mais interações positivas durante nosso dia-a-dia e menos frustração (catalisador de estresse).
Don Norman em seu famoso livro: Design Emocional — Por que Adoramos (ou Detestamos) os Objetos do Dia-a-dia delineia alguns dos aspectos chave para um produto bem sucedido. Antes de detalharmos, vamos primeiro passar por:

O que afinal de contas, é Design?

Design trata de como as coisas são construídas, de como devem parecer e funcionar. Possui um objetivo e infinitos métodos para alcançá-lo. Por isso o trabalho do designer é tão subjetivo e abrangente. Entender conceitos de comunicação visual é apenas o básico. Psicologia, sociologia, história, matemática, física, tudo entra em questão quando se busca um design compreensivo.

“Design é a visualização criativa e sistemática dos processos de interação e das mensagens de diferentes atores sociais; é a visualização criativa e sistemática das diferentes funções de objetos de uso e sua adequação às necessidades dos usuários ou aos efeitos sobre os receptores”.
— Design — Uma Introdução. O design no contexto social, cultural e econômico (2010)

Um dos fundamentos mais importantes do Design é simplesmente entender. Entender o problema, quem é impactado por ele, de quais recursos dispomos para resolvê-lo, em quanto tempo e finalmente qual a melhor forma de fazê-lo. Bom design não nasce do dia pra noite, é estudado, aprimorado e testado em diversos ciclos de iteração.
Assim, um produto comum se torna extraordinário.

Design Emocional, o que agrega?

Entendemos então, o que é Design e pra que serve. A teoria de Don Norman refina essa definição delineando três níveis de impacto emocional que agem sobre as pessoas quando interagem com produtos. São eles: Visceral, Comportamental e Reflexivo.
São conceitos validados tanto por pesquisadores quanto pela reação do mercado. Como um exemplo muito claro, podemos citar o lendário Iphone, um grande ícone no que diz respeito a noções de design e experiência de usuário incorporadas no desenvolvimento de produtos.
Quem nunca quis ter um Iphone? (ou qualquer outro produto Apple, aliás)
Esse é o ponto no qual queremos chegar. O que esse produto tem de tão especial que faz as pessoas criarem não apenas o desejo de compra, mas uma lealdade que beira o fanatismo? Vamos analisar essa questão enquanto definimos os três níveis do Design Emocional:

Visceral

O nível visceral trabalha com os aspectos que tornam as coisas instintivamente atraentes. Fatores como cor e simetria estão agindo sob o lado sub-consciente da nossa percepção. Design visceral é o que faz as pessoas dizerem “eu quero”, mesmo sem saber exatamente porque ou para quê. Para explicar esse fenômeno entramos no ramo da psicologia e evolução humana. O próprio termo “visceral” remete ao que é profundo, íntimo, que se sente “nas vísceras”.
Exemplificando, aqui estão alguns produtos que fazem uso desse conceito:

0

Esse é o Iphone X, taaaantos pixels *-*

ferrari

Essa é uma Ferrari, cheia de curvas. Você sabia que por “padrão” o ser humano prefere coisas com design curvilíneo? E não é preferencia exclusiva dos homens. Veja aqui os detalhes da pesquisa realizada na Universidade de Toronto sobre o assunto.
É seguro dizer que o design do Iphone foi deliberadamente criado para apelar ao que achamos instintivamente bonito, assim como o da Ferrari. Isso é design visceral.

Comportalmental

O aspecto comportamental do design diz respeito a como e quão bem ele funciona. A curva de aprendizado é muito alta? Consigo entender e prever o que cada interação vai produzir? Diversos aspectos entram em questão aqui, incluindo precisão, complexidade, acessibilidade e responsividade. Se o produto me fizer sentir bem, no controle e fornecer uma experiência diferenciada, o produto ganha meu afeto.
Aparência atrai, mas por si só não é o suficiente. Se aquela linda Ferrari não for prazerosa de dirigir ou se meu Iphone não responder corretamente aos meus comandos, o produto não atende as expectativas. Vai receber pontos negativos por gerar frustração. O aspecto comportamental grita que o produto “foi feito especialmente para isso”, quando feito da forma correta.

“Cientistas comportamentais do ramo da psicologia e economia estão produzindo uma grande quantidade de pesquisa sobre comportamento humano, e os designers possuem a habilidade e experiência para transformar esses  insights em produtos e serviços que tornam nossa vida mais feliz ou segura.” — Wider Funnel, How behaviour design creates the best user experiences

Reflexivo

Diferentemente da atração instintiva exercida no nível visceral, aqui é onde a beleza consciente se manifesta, com toda sua subjetividade. Donald Norman cita exemplos: uma música dissonante pode ser bonita, uma obra de arte feia pode ser bonita. Tudo depende do observador, seu contexto, nível de instrução, cultura e valores pessoais.
A essência do design reflexivo está na mente do observador. Este é o único dos níveis que funciona conscientemente, como uma decisão pessoal de valor. O nome já diz bastante coisa: design reflexivo; O que esse produto reflete sobre mim, quando o uso? De qual cultura, causa ou estilo ele irá me aproximar? O que irá mudar na forma como as outras pessoas me vêem, se eu utilizá-lo?
No caso do Iphone, existe uma ligação muito forte entre a marca e o “status” que ela traz. Por mais incrível que o produto seja, suas funcionalidades podem sim ser encontradas em outras marcas. Entretanto, apesar do preço geralmente mais alto, seus consumidores se mantém fiéis a marca por conta do apego emocional desenvolvido com ela.

Certo, e o que isso tem a ver com fazer as pessoas se apaixonarem por meus produtos?

Seres humanos são criaturas complexas. Entretanto, até certo ponto é possível prever e mapear como reagimos a estímulos exteriores. Nos comportamos de certa forma pois nosso corpo se “programou” assim, seja por instintos de sobrevivência ou hábito.
O que torna um produto excepcional é quão bem ele se alinha com esses instintos, além de quanto ele satisfaz de nossas necessidades emocionais. Podemos visualizar esse conceito de forma mais clara analisando os seguintes gráficos:

piramide_maslow

A pirâmide de Maslow mostra as necessidades de todos os seres humanos, com as mais básicas na base, evoluindo até as mais avançadas. Ao lado, podemos ver as características abordadas pelo Design Emocional e como se relacionam com cada um desses níveis.
Quando utilizamos essa perspectiva, os pontos fortes e fracos de qualquer produto se tornam mais claros. Deixamos de considerar que eles precisam apenas “funcionar” e passamos a “encantar”.
Esses fundamentos nos auxiliam na tarefa de criar vínculos emocionais entre nossos produtos e os usuários. Mais do que consumidores, somos todos seres humanos. Produtos (físicos ou digitais) que nos fornecem uma experiência prazerosa de uso se destacam justamente por evocar emoções positivas.

Conclusão

Não existe receita pronta, nem um passo a passo claro para o sucesso. Conforme falamos anteriormente, grande parte do processo é teste, análise, correção e novos testes. Entretanto, tendo esses conceitos em mente e ampliando nossa compreensão da psique humana, é possível aumentar muito a probabilidade de sucesso.
Já se foi o tempo em que construíamos produtos complexos, extremamente técnicos e intimidadores. A tendência é o user friendly, bem pensado e focado no que realmente precisamos.
Aliar pesquisa e desenvolvimento com a área de Design também é uma ótima pedida. Além de fazer uso das diversas pesquisas já disponíveis de forma estratégica no aprimoramento e concepção de projetos.
Mas o fator principal é: lembre-se de que quem vai utilizar seu produto é um ser humano real, com sentimentos e opiniões, não um rosto anônimo na multidão, faça-o sentir-se como tal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − treze =

Posts relacionados

  1. Sobre a Dextra

    Somos especialistas em desenvolvimento de software sob medida para negócios digitais. Pioneiros na adoção de metodologias de gestão ágil, combinamos processos de design, UX, novas tecnologias e visão de negócio, desenvolvendo soluções que criam oportunidades para nossos clientes.

  2. Categorias

Scroll to top