O mundo como um reflexo de nós mesmos

Há algum tempo tenho notado uma diminuição gradativa na importância de mídias tradicionais de notícias, como jornais e revistas....

Data de publicação: 31/03/2014

Há algum tempo tenho notado uma diminuição gradativa na importância de mídias tradicionais de notícias, como jornais e revistas. Com a popularização da internet eu achei que ocorreria  um processo natural onde, simplesmente, se alteraria o meio de acesso a notícias partindo de jornais físicos para a internet e, assim, não existiria nenhum impacto social. Porém, existem alguns artigos que afirmam que, para quase metade dos internautas, o meio principal de se obter notícias passou a ser as “Mídias Sociais” (como facebook e twitter).

Este fato isolado não seria necessariamente ruim, porém existe algo que altera as regras do jogo, que é o chamado “Filtro Bolha”. Os “Filtros Bolha” são, basicamente, algorítmos que tentam “adivinhar” o que o usuário quer ver baseado em escolhas passadas. Desta maneira, provavelmente quando eu pesquiso futebol no google o resultado será diferente da pesquisa de qualquer outra pessoa.

Dado que as pessoas estão cada vez mais propensas à obter suas notícias via Mídia Social e estas mídias possuem o chamado “Filtro bolha”, será que estaremos fadados à um loop infinito de retroalimentação de nossas próprias idéias, opiniões e preconceitos?

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade
Joseph Goebbels (foi o ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista)

Um fenômeno da internet que está ficando cada vez mais popular é o “hoax”, que nada mais é do que um boato inteira ou parcialmente falso que é espalhado via internet (email, facebook, twitter, etc…). Existem exemplos recentes destes boatos saindo do controle, um exemplo foi o boato do “corte ao programa Bolsa Família” que gerou tumultos em vários estados.

Orson Welles, cineasta americano famoso por seu filme “Citizen Kane”, apresentou em 1938 uma radionovela (novela apresentada no radio) baseado na obra de W.G. Wells “A Guerra dos Mundos”. Esta radionovela foi apresentada no formato de uma série de boletins de notícia urgente sobre uma invasão extraterrestre. Milhares de pessoas não viram as chamadas no rádio dizendo se tratar de um programa de ficção e acreditaram na “notícia”. Em uma época em que o único veículo de notícias em tempo “quase real” era o rádio este tipo de fenômeno é compreensível. Porém quase 80 anos depois e com inúmeros sites entregando conteúdo em tempo real, como pode algo deste tipo ocorrer?

A explicação, na minha opinião, se encontra novamente no fato de pessoas tratarem as mídias sociais como sua principal fonte de notícias e se tornando, assim, veículos transmissores de hoax.

“You never really understand a person until you consider things from his point of view”
Harper Lee (escritora americana)

 

Um outro ponto a se pensar é a própria democracia. O que define uma democracia? A existência de vários partidos? Possibilidade do voto?

Pra mim, umas das coisas que  definem uma democracia é a possibiloidade de escutar diversos pontos de vista. Em regimes não democráticos, somente se ouve a opinião aprovada pelo governo, assim era o Brasil na época da ditadura e outros países como Coreia do Norte. Mas se isso define uma democracia, ao ficarmos cada vez mais  confinados à nossa bolha estaríamos abrindo mão dela? Seria o início de uma anti-democracia com visões conflitantes cada vez mais radicalizadas? Os mais pessimistas, como eu, pensam que sim.

“A verdade está lá fora”
Frase famosa do seriado The X-Files

Existem maneiras de se quebrar este ciclo de retroalimentação, a mais simples delas é óbvia. Nunca acredite em uma notícia vinda do facebook de primeira, sempre checando as referências e verificando se é verdade ou não.

Uma outra não tão óbvia é a diversidade, leia notícias de diversas fontes de preferência com pontos de vista antagônicos (por exemplo Veja e Carta Capital) assim abrindo sua visão de mundo.Cabe a cada um de nós procurar este caminho. Não é fácil, temos que nos expor a ideias contrárias às nossas, com calma e ponderação. Mas ninguém disse que a democracia é fácil.

Comentários

  1. Fabiana Braga1 de abril de 2014

    Critica leve e inteligente sobre um sério problema da atualidade. Vale muito a pena a leitura.

    Responder
  2. Paulinha Pinheiro1 de abril de 2014

    Muito interessante a leitura. Ando pensando muito sobre isso também!! Eu, aos poucos, tento sair dessa midia social e tenho o cuidado de ler coisas diferentes pra ter mais pontos de vista. Acho que não to tão dentro da bolha 😉

    Responder

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