O século XXI começa agora

Ninguém sabe que mundo nos aguarda após a pandemia, mas o isolamento social deve acelerar a transformação digital, consolidar...

Data de publicação: 18/05/2020

Ninguém sabe que mundo nos aguarda após a pandemia, mas o isolamento social deve acelerar a transformação digital, consolidar metodologias ágeis e deixar reflexões para um mundo melhor.

Já é possível afirmar com pouca margem de erro: a pandemia global que atualmente vivemos e que altera drasticamente nossa forma de viver e trabalhar será um marco histórico. Não sou historiador, é verdade, mas me baseio na ideia de que o século XXI começa, de fato, agora. Muito daquilo que esperávamos, enquanto membros da indústria de tecnologia da informação, sobre o potencial da TI na construção do futuro, está se concretizando agora, bem diante de nossos olhos.

Falei recentemente sobre essa impressão durante o encerramento do IT ForOn, série de entrevistas online promovidas pela IT Mídia. Fui convidado a debater com o cientista e professor da UFPE, Silvio Meira e com o presidente da IBM Brasil, Tonny Martins. Vitor Cavalcanti, jornalista e sócio-diretor da IT Mídia, mediou a conversa. A pergunta que nos provocava: “Quando tudo passar, teremos um novo normal?”

A resposta é longa e complexa, como bem demonstrou o debate, mas é certo que as tecnologias que possibilitam o trabalho remoto, por exemplo, passaram de opcionais a mandatórias. O mesmo serve para processos e métodos que permitem realizá-lo. Nós da Dextra sempre falamos sobre a importância da transformação digital para o futuro dos negócios e a COVID-19 está mostrando a importância disto – embora não da forma que esperávamos, infelizmente.

Parte dessa transformação digital que agora acelera são os métodos ágeis para a criação de produtos digitais, cujas bases foram lançadas no Manifesto Ágil justamente em 2001, ano da virada do século. O documento traz novas formas de organização do trabalho para o futuro, incluindo a ideia de times multidisciplinares e autônomos, se contrapondo aos velhos silos de conhecimento corporativos.

Desde então, essa forma nova de criar produtos digitais se expandiu, cada vez mais contando com times cujo trabalho é guiado por princípios de descoberta, experimentação e aprendizado contínuo. A COVID-19 deve acelerar a adoção desse modelo, uma vez que a ideia de planejamentos detalhados de longo prazo está ruindo.

Não que os métodos ágeis tenham sido pensados para funcionarem apenas em momentos de crise. Ao contrário, foram pensados para se adaptarem a qualquer situação, inclusive as mais adversas. Atualmente é o isolamento social, mas outras dificuldades continuarão se apresentando e todos nós teremos que nos adaptar.

Desde a origem, quando Kent Beck introduziu o conceito de Extreme Programming (XP) e a palavra ágil sequer era utilizada, “acolher a mudança” era um valor básico. As coisas mudam, e resistir às mudanças jamais será tão produtivo quanto acolher as mudanças e aproveitá-las como oportunidades de geração de valor. É disso que trata o movimento ágil.

Outro aspecto importante trazido pelo ágil é que os times tenderão a trabalhar com cada vez mais autonomia. Isso aumenta a possibilidade de sobrevivência, uma vez que o sistema de trabalho dilui possíveis pontos de falha e torna as organizações menos frágeis. Pelo contrário, elas passam a melhorar em situações adversas, seguindo o conceito de “antifragilidade” de Nassim Taleb

Voltando ao presente e à pandemia, eis que estamos todos em “home office”. As oportunidades que temos de usar a tecnologia para aumentar nossa criatividade e produtividade são inúmeras, por que não? Para nossa produtividade, são enormes. Tudo aquilo de que precisamos já estava à mão, todas as tecnologias existem e são acessíveis. Só não tínhamos, por muitas razões, optado por usá-las massivamente.

No novo normal que se aproxima, vamos aproveitar boa parte das práticas que desenvolvemos durante o isolamento. Já percebo parceiros e clientes, mesmo entre aqueles antes resistentes, que a produtividade sob o novo modelo continua alta. Essa é a chave do ágil: olhar para a mudança pelo aspecto positivo, aprender e se adaptar.

Claro que a doença que nos amedronta é terrível e deve ser combatida e levada a sério, mas abraçar as mudanças que se aproximam também faz parte dessa luta. 

Quando digo que o momento é de experimentar e aprender, me refiro ao que já acontece agora com quase todos os negócios, impulsionados pelo ineditismo da pandemia e obrigados a se reinventarem para não perecerem. É um processo que, claro, apresenta riscos e gera dores, mas o resultado é o aprendizado. 

Podemos sair melhores desta crise! Em todos os aspectos, não apenas no mundo do trabalho ou na forma como usamos tecnologia em nossas vidas. As reflexões trazidas pela pandemia talvez criem uma sociedade melhor. Pode ser otimismo demais, mas há motivos de sobra para acreditar.

Boa parte das empresas vai conseguir se adaptar e tirar força da crise. Aprenderão não só novas maneiras de trabalhar, mas também estreitarão relações com clientes e parceiros. Vão se adaptar, aprender, se reinventar. 

 

* Autor: Bill Coutinho – sócio-diretor da Dextra

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