Qual é o seu jeito de ser digital?

É impossível negar que ‘transformação digital’ se tornou, já há alguns anos, o grande conceito relativo à mudança no...

Data de publicação: 02/04/2020

É impossível negar que ‘transformação digital’ se tornou, já há alguns anos, o grande conceito relativo à mudança no uso de tecnologia e sobre como ela é capaz de revolucionar os modelos de negócio em todos os setores da economia. Mas, ao contrário do que parece, ao se analisar o que é publicado e dito sobre o assunto, não existe cartilha ou caminho único que sirva a todas as organizações – cada uma tem demandas particulares e encontra modos distintos de se transformar.

Ou seja, há vários “jeitos” de ser digital, assim como existem várias formas de definir o que é a transformação digital. Uma delas, minha preferida, versa que é o processo em que a empresa coloca todos os recursos tecnológicos para cuidar da jornada do cliente, colocando-o no centro da estratégia e usando dados para alcançar este objetivo. Assim todas as iniciativas precisam estar focadas em inovar no modo de resolver os problemas do usuário.

Infelizmente a abordagem do caminho único, que aos poucos chega às organizações, faz a transformação digital parecer intransponível, quando não uma sentença de morte. A verdade é que toda companhia é capaz, às vezes com alguma ajuda, de se adaptar e utilizar tecnologias e processos a seu favor.

As variações dependem de muitos aspectos. Cultura, por exemplo: enquanto algumas organizações são pautadas por inovação e relacionamentos menos hierárquicos entre os profissionais, o que facilita a incorporação de novas formas de pensar, outras são mais rígidas – o que não impede a transformação digital, contanto que a organização se abra às mudanças. Outro ponto é o segmento em que está o negócio. Cada um tem particularidades que levam a empresa a investir em tecnologia de maneiras distintas. O mercado financeiro segue regulações e requisitos de segurança distintos do varejo, por exemplo. O tamanho da empresa também é relevante e altera a efetividade de certos modelos.

É importante salientar que não existe um fim para a jornada digital. Por isso é mais importante a própria caminhada do que o discurso do “já estou transformado”. Existem métodos, ferramentas e estilos de gestão que compõe o que se pode chamar de “ser digital”.

Métodos e tecnologias

Se o caminho e as tecnologias escolhidas por cada empresa para se iniciar na jornada da transformação digital variam, há um conjunto de métodos e ferramentas comuns que podem ser úteis a todas. O objetivo é não só inovar tendo o usuário no centro da estratégia, mas fazer isso rápido, de olho em uma concorrência acelerada.

É aí que as metodologias ágeis se tornam indispensáveis para organizar o trabalho e gerar o que chamamos de continuous discovery, ou seja, a busca contínua de valor para o cliente. O Scrum é uma delas, e prevê frameworks para escalar projetos em mais times.

O Lean – filosofia de gestão japonesa inspirada em práticas e resultados da fabricante de carros Toyota – não é exatamente novo, mas se renovou ao longo dos anos e continua ajudando no gerenciamento de projetos – agora com mais velocidade. De olho em entender melhor o que o cliente valoriza, o Design Thinking, o Service Design e as pesquisas de User Experience (UX) são ideais para mapear as jornadas dos clientes.

Já os OKRs (do inglês objectives and key results), metodologia criada pela Intel, servem para dar mais visibilidade e foco nos objetivos principais da empresa.

Quando se parte para a tecnologia, algumas são indispensáveis. A nuvem (cloud computing), por exemplo, fornece a infraestrutura e abriga vários dos serviços para que se obtenha dinamismo para inovar. É ela quem suporta o modelo de aprendizado e adaptação contínuos, pois fornece infraestrutura altamente flexível. Sem ela tecnologias como Big Data e Inteligência Artificial seriam impossíveis.

É importante lembrar: sem uma estratégia de uso de dados, é impossível avançar na transformação digital. Todas as empresas detêm conjuntos de informações para impulsionar estratégias e que infelizmente ainda usam pouco. Coletar mais dados ainda e, principalmente, usá-los para entender melhor o perfil do cliente e direcionar estratégias é importante na transformação digital.

Por último e não menos importante surge o Growth Design, conjunto de técnicas que buscam oportunidades de melhorias em produtos ou estratégias a partir dos dados de consumo. Por meio de dashboards e relatórios, os times de produtos podem responder hipóteses sobre suas estratégias enquanto elas acontecem. Ou seja, empresas digitalmente transformadas não podem se dar ao luxo de esperar semanas, meses ou mesmo anos para entender defeitos no lançamento de produtos ou serviços. Corrigir rumos exige celeridade.

Visão ambiciosa

Outros elementos comuns às empresas que querem embarcar na transformação digital são, ao mesmo tempo, filosóficos e processuais. O primeiro deles é evitar querer transformar a empresa toda ao mesmo tempo. Não dá certo. É preciso ter foco, caminhar com passos firmes rumo à um objetivo bem claro – mas sem abdicar de uma visão ambiciosa.

As lideranças da empresa precisam ter uma visão de longo prazo inclusive para motivar quem participam do processo, mas não adianta tentar dar passos enormes pois a resistência será maior. De todo modo, as primeiras áreas ou produtos a serem transformadas não podem ser periféricos – é importante que tenham relevância dentro da organização.

Se for um produto, é preciso que ele seja importante e que a participação dos envolvidos seja vertical, ou seja, que atinja pessoas de todos os níveis, desde quem toma as decisões até a operação. Se a mudança for sentida por todos, os próximos passos ficam mais fáceis de serem dados.

Por isso tanto se diz sobre a transformação digital ser, antes de tudo, uma mudança de cultura e modo de pensar. Sim, cada empresa pode encontrar o próprio jeito de inovar e se transformar, mas foco no cliente e agilidade são indispensáveis.

Para mostrar que há vários “jeitos” de ser digital, conheça os cases abaixo.

                                         

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