Super Apps: o futuro dos aplicativos móveis?

Modelo cada vez mais popular no Oriente aposta em ofertas múltiplas de serviços em uma mesma aplicação, reduzindo número...

Dextra

View posts by Dextra
Somos especialistas em desenvolvimento de software sob medida para negócios digitais. Pioneiros na adoção de metodologias de gestão ágil, combinamos processos de design, UX, novas tecnologias e visão de negócio, desenvolvendo soluções que criam oportunidades para nossos clientes. A Dextra faz parte da Mutant, empresa B2B líder no mercado brasileiro e especialista em Customer Experience para plataformas digitais.
Data de publicação: 03/06/2020

Modelo cada vez mais popular no Oriente aposta em ofertas múltiplas de serviços em uma mesma aplicação, reduzindo número de instalações feitas pelos usuários em seus dispositivos, e começa a se tornar mais comum também no Brasil

 

Nem sempre é fácil definir um novo e inovador produto digital. Talvez o exemplo mais recente sejam os chamados Super Apps, cujo conceito varia um pouco conforme eles se espalham pelo mundo. No Oriente, onde surgiram, principalmente no mercado chinês, trata-se de um aplicativo para dispositivos móveis que reúne em uma mesma interface vários serviços distintos, que não necessariamente guardam uma relação óbvia entre si.

No mesmo aplicativo se pode, por exemplo, enviar mensagens instantâneas, reservar um quarto de hotel, pedir comida ou comprar ingressos para a próxima sessão de cinema, por exemplo. Isso sem a necessidade de alternar o app, ou mesmo instalar vários deles no mesmo dispositivo. 

O exemplo mais clássico é o chinês WeChat, da gigante Tencent, que começou como app de mensageria e hoje agrega serviços dos mais diversos, incluindo games, chamar táxis, e-commerce, carteira virtual e até consultas médicas à distância, entre outros. Tamanha diversidade ainda é pouco comum no Ocidente, mas começa a se popularizar aos poucos sob outra filosofia.

“No Brasil, qualquer aplicativo ‘grande’ tem sido chamado de super app”, explica Luis Fernando Lima, head de pré-vendas e soluções digitais da Dextra. “Eles resolvem muitos problemas e contém vários modelos de negócio. Permite diversas funcionalidades diferentes.”

Trata-se de um conceito que, de certa forma, vai na contramão daquele consagrado nos dispositivos carregados nos bolsos ocidentais. Sempre que o usuário quer usar um novo serviço, procura um aplicativo especializado. No Super App, ao contrário, a ideia é reduzir a quantidade de aplicações instaladas nos smartphones, organizando os serviços em uma mesma interface e tornando a vida do usuário mais simples.

“A ideia é ir contra os micro apps, as telas com vários aplicativos instalados e notificações. Eles [a Tencent, dona do WeChat] defendem que isso é confuso para o usuário. No super app eles oferecem uma experiência única, com controle e usabilidade centralizados”, explica o desenvolvedor Erick Zanardo, da Dextra, especialista em soluções do tipo.

Mercado ocidental em expansão

No Brasil e no Ocidente, a filosofia do super app é parecida, mas os serviços oferecidos – ao menos por enquanto – não variam tanto em termos de diversidade. O app mais citado por estas bandas e sob este conceito é o Rappi – startup colombiana cujos entregadores podem levar comida pronta, compras de supermercado e até dinheiro vivo – e o iFood. 

Outro exemplo é o Facebook, que agrega diversos serviços além da timeline com posts de usuários, como um marketplace e até um serviço de streaming de games.

“Isso que vemos no Oriente é muito difícil de conseguir aqui. Não acho que nossos super apps vão englobar todo tipo de serviço, mas meios de pagamento, por exemplo, todo mundo quer. Cada vez mais aplicativos que começaram oferecendo uma coisa passarão a fazer outras”, pondera Lima. 

Para o especialista da Dextra, o potencial brasileiro para este tipo de aplicativo é grande. Os recursos provavelmente mais comuns, além das “carteiras virtuais” e meios de pagamento próprios, devem ser os marketplaces, com espaço para que pessoas e empresas vendam produtos e serviços direto para os usuários. Além das empresas de entrega, que já se aprofundam no modelo de super apps, instituições financeiras também começam a convergir diversos serviços, como conta corrente, cartão de crédito e programa de pontos, por exemplo, antes separados em vários aplicativos.

Vantagens e desafios tecnológicos

Para o especialista da Dextra, o benefício de negócios mais óbvio da abordagem dos super apps é a venda cruzada, ou cross-selling, em que a empresa pode ofertar para o usuário diversos serviços dentro do mesmo aplicativo, com a mesma experiência, e de acordo com o perfil de cada um. Para o usuário também há vantagens, uma vez que ele receberá ofertas mais bem direcionadas a partir dos dados de interações. 

“Existe uma competição para ver que empresas vão ganhar essa corrida. Elas querem expandir seus modelos de negócios. E aí entra o cross-selling [venda cruzada], porque todos estes serviços vão estar dentro de uma mesma operação”, diz.

Mas há o desafio técnico, que não é pequeno. Por ser um conceito novo, não há no mercado uma linguagem ou arquitetura pronta para o desenvolvimento de super apps. O caminho, explica Zanardo, é optar por tecnologias que se encaixem aos ganhos esperados pelo negócio, ou seja, não há fórmula pronta.

“Um negócio grande, com serviços muito distintos, precisa tomar o cuidado de não transformar o app em um monstro. Tamanho excessivo é ruim porque celulares mais antigos e fracos não vão rodar”, diz. “Às vezes é necessário suportar diferentes tecnologias e plataformas. Já vi super apps em que a base era em linguagem nativa e os ‘mini-apps’ eram em frameworks ou webviews em HTML5.”

Para o programador, essa abordagem tecnicamente híbrida é favorável para integrar vários serviços distintos. Ao mesmo tempo, utilizar apenas linguagem nativa torna a administração geral potencialmente mais simples. “É bem difícil ter uma solução ideal”, reconhece. 

Outro ponto fundamental, lembra Luis Lima, é que a arquitetura escolhida permita que vários times, cada uma responsável por um serviço diferente, trabalhem em paralelo. Isso pode significar um squad responsável pelo app final, e outros construindo os serviços subsequentes. Para ele, a comunicação e a integração entre essas frentes é o maior desafio do desenvolvimento.

Um caso prático

O primeiro super app produzido pela Dextra no Brasil pertence a uma empresa do setor financeiro. A ideia central do app era que diversas equipes pudessem trabalhar em paralelo para ofertar diferentes serviços na mesma interface. Para isso foi utilizado o conceito de super app.

“A arquitetura é baseada em um aplicativo core, que é a base de tudo, e que provê recursos mais complexos, como acesso à câmera, arquivos ou qualquer outro recurso nativo do dispositivo. E aí temos o que a empresa chama de ‘mini apps’, os módulos”, explica Zanardo. “Cada serviço, ou cada produto oferecido, é um mini app. Isso significa que o desenvolvedor pode trabalhar sem se preocupar com os outros.”

Apesar da teoria relativamente simples, a implantação na prática ofereceu diversos desafios técnicos, principalmente no começo do desenvolvimento, mas que foram resolvidos rapidamente. Após um mês e meio de testes, uma primeira versão da aplicação (MVP) já estava no ar nas lojas Google Play e Apple Store.

“O maior desafio inicial foi a comunicação e integração entre times. Quando um deles queria entregar um novo recurso, tínhamos que criar maneiras para que isso fluísse bem”, explica Lima. “Agora está tudo automatizado, e o processo tem funcionado melhor.”

Nos próximos meses e anos a empresa dona do super app deve implementar diversos novos serviços. Atualmente são pouco mais de 115 mil usuários registrados em ambas as plataformas móveis. O objetivo do app é suportar o rápido crescimento da empresa e dar as bases para criar e integrar serviços de maneira rápida.

Dextra

View posts by Dextra
Somos especialistas em desenvolvimento de software sob medida para negócios digitais. Pioneiros na adoção de metodologias de gestão ágil, combinamos processos de design, UX, novas tecnologias e visão de negócio, desenvolvendo soluções que criam oportunidades para nossos clientes. A Dextra faz parte da Mutant, empresa B2B líder no mercado brasileiro e especialista em Customer Experience para plataformas digitais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 + vinte =

Posts relacionados

  1. Sobre a Dextra

    Somos especialistas em desenvolvimento de software sob medida para negócios digitais. Pioneiros na adoção de metodologias de gestão ágil, combinamos processos de design, UX, novas tecnologias e visão de negócio, desenvolvendo soluções que criam oportunidades para nossos clientes.

  2. Categorias

Scroll to top